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A Educação que é Cristã

A educação cristã deve ser sedimentada numa visão de mundo cristã, a maneira pela qual alguém interpreta o mundo e interage nele de maneira cristã. Essa visão de mundo foi explicitamente personificada na pessoa de  Jesus Cristo e demonstrada através de sua obra. Por isso, a pessoa de Jesus e sua obra se constituem na pedra de toque para o educador, para o educando, e também para o processo educacional.

Os evangelhos são o compêndio da filosofia educacional de Jesus. Como exemplo examinaremos a história da primeira multiplicação dos pães, conforme descrita no evangelho de São João, a qual demonstra alguns aspectos dessa filosofia.

Texto do Evangelho de São João Capítulo 6: 1 a 13; 26 a 35
Fonte: http://www.ibs.org/bibles/portuguese/index.php

1 Algum tempo depois, Jesus partiu para a outra margem do mar da Galiléia (ou seja, do mar de Tiberíades), 2 e grande multidão continuava a segui-lo, porque vira os sinais miraculosos que ele tinha realizado nos doentes. 3 Então Jesus subiu ao monte e sentou-se com os seus discípulos. 4 Estava próxima a festa judaica da Páscoa.
5 Levantando os olhos e vendo uma grande multidão que se aproximava, Jesus disse a Filipe: “Onde compraremos pão para esse povo comer?” 6 Fez essa pergunta apenas para pô-lo à prova, pois já tinha em mente o que ia fazer.
7 Filipe lhe respondeu: “Duzentos denáriosb não comprariam pão suficiente para que cada um recebesse um pedaço!”
8 Outro discípulo, André, irmão de Simão Pedro, tomou a palavra: 9 “Aqui está um rapaz com cinco pães de cevada e dois peixinhos, mas o que é isto para tanta gente?”
10 Disse Jesus: “Mandem o povo assentar-se”. Havia muita grama naquele lugar, e todos se assentaram. Eram cerca de cinco mil homens. 11 Então Jesus tomou os pães, deu graças e os repartiu entre os que estavam assentados, tanto quanto queriam; e fez o mesmo com os peixes.
12 Depois que todos receberam o suficiente para comer, disse aos seus discípulos: “Ajuntem os pedaços que sobraram. Que nada seja desperdiçado”. 13 Então eles os ajuntaram e encheram doze cestos com os pedaços dos cinco pães de cevada deixados por aqueles que tinham comido.
26 Jesus respondeu: “A verdade é que vocês estão me procurando, não porque viram os sinais miraculosos, mas porque comeram os pães e ficaram satisfeitos. 27 Não trabalhem pela comida que se estraga, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem lhes dará. Deus, o Pai, nele colocou o seu selo de aprovação”.
28 Então lhe perguntaram: “O que precisamos fazer para realizar as obras que Deus requer?”
29 Jesus respondeu: “A obra de Deus é esta: crer naquele que ele enviou”.
30 Então lhe perguntaram: “Que sinal miraculoso mostrarás para que o vejamos e creiamos em ti? Que farás? 31 Os nossos antepassados comeram o maná no deserto; como está escrito: ‘Ele lhes deu a comer pão dos céus’a”.
32 Declarou-lhes Jesus: “Digo-lhes a verdade: Não foi Moisés quem lhes deu pão do céu, mas é meu Pai quem lhes dá o verdadeiro pão do céu. 33 Pois o pão de Deus é aquele que desceu do céu e dá vida ao mundo”.
34 Disseram eles: “Senhor, dá-nos sempre desse pão!”
35 Então Jesus declarou: “Eu sou o pão da vida. Aquele que vem a mim nunca terá fome; aquele que crê em mim nunca terá sede.

Visualize o desenrolar dos acontecimentos descritos no texto: primeiro, temos a descrição do cenário do evento nos versículos 1 a 3; a seguir, o evangelho registra nos versículos 4 e 5 a fonte da inspiração e a decisão do assunto sobre o qual Jesus iria ensinar; depois, segue-se nos versículos 6 a 9 a explicação sobre a intenção de Jesus e a impossibilidade descrita pelos discípulos; o texto continua nos versículos 10 a 13 descrevendo o processo da multiplicação dos pães e o cuidado com o produto final; finalmente, nos versículos 26 ao 35 temos o discurso feito em relação ao evento da multiplicação.            

É muito interessante a metodologia educacional de Jesus. Primeiro, Ele compõe sua lição usando elementos que o rodeiam: uma multidão de seguidores motivados pelos milagres que haviam visto, discípulos que foram especìficamente por Ele chamados para o seguirem, uma necessidade humana básica...fome. Segundo, ele encontra sua inspiração educacional em um evento socio-religioso marcante para seus alunos---páscoa. Terceiro, a reflexão sobre o problema---onde compraremos pão? deve ser seguida da ação---mandem o povo sentar-se e lhes dêem de comer. Quarto, o mestre é um modelo---eu digo, eu faço, façam voces o que viram. Quinto, o conteúdo de sua lição é duplo: resolve um problema---fome, e ensina um princípio espiritual---oração acompanhada de ação(fé) funciona.     

Ai estão algumas implicações da filosofia de Jesus, que descobrimos através da análise do texto:

  • O ensino é centrado no estudante.
  • Professor é o facilitador do processo de aprendizado.
  • O Processo da educação é experimental.
  • A educação, alem de transmitir conteúdo, deve desenvolver o poder e a sensibilidade da mente do estudante.
  • A educação deve promover visões alternativas do mundo e fortalecer a vontade do estudante para explorá-lo. (Jerome S. Bruner)
  • A Educação não deve ser bancária, mas conscientizadora. (Paulo Freire)
  • O uso de uma interpretação previa, para construir uma nova ou revisada interpretação do significado das experiências pessoais, para assim guiar uma ação futura. (Jack Mezirow)
  • Educação deve instigar, nos(as) alunos(as), atitudes e hábitos que   conduzam ao desenvolvimento de suas capacidades de resolver   problemas. (John Dewey)

 

Joao Carlos Nunes da Rocha, PhD.

 

 
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